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sábado, 9 de abril de 2011

Polícia detém integrantes de grupo nacionalista na Paulista


Dez pessoas foram detidas durante protesto no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, em São Paulo, na manhã deste sábado (9).

Oito são integrantes dos grupos Ultradefesa, União Nacionalista e Carecas, que foram ao local fazer uma manifestação em defesa do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Um deles estava com uma carteirinha com a inscrição "detetive especial". Os outros dois detidos são punks anarquistas que estavam do outro lado do protesto e estavam sem documentos.

Segundo Cássio Cardosi, do Serviço de Operações Especiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a maioria dos detidos foi levada para a delegacia após uma análise dos documentos apontar alguns deles como já tendo sido fichados no arquivo da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

Foram apreendidos durante o protesto um bastão e estrelinhas ninja com integrantes dos dois grupos. A Policia Militar teve de fazer um cordão de isolamento para que os grupos nacionalistas não entrassem em confronto com ativistas do movimento gay, estudantil, punk-anarquista, negro e de defesa das mulheres e integrantes do Sindicato dos Trabalhadores da USP , que também foram ao local para tentar impedir o protesto.

No programa "CQC", da TV Bandeirantes, exibido no mês passado, Bolsonaro afirmou que não discutiria "promiscuidade" ao ser questionado pela cantora Preta Gil, sobre como reagiria caso o filho namorasse uma mulher negra. Bolsonaro também disse, no programa, que os filhos dele não são gays porque tiveram uma boa educação.

Durante toda a manhã, houve provocações de lado a lado. Houve disparo de gás pimenta quando um movimento do grupo nacionalista se aproximou da corrente da polícia. Outro integrante do grupo teve de ser retirado pela polícia após tentar discutir com o movimento estudantil gay.

Eduardo Thomaz, integrante do grupo Ultradefesa, disse que o objetivo do protesto foi defender os “direitos da família e do cidadão”. Segundo ele, o ato não teve caratér “homofóbico”. Já o movimento gay disse ter se mobilizado para impedir um ato de "intolerância”.

Segundo o capitão da PM Fábio Romam Albuquerque, do 11º batalhão, cem homens foram deslocados para a região para ajudar na contenção.

Fonte: G1

quinta-feira, 31 de março de 2011

“Fui injustamente agredida”, diz Preta Gil sobre Bolsonaro



A cantora Preta Gil afirmou, durante lançamento oficial da 15ª Parada Gay de São Paulo na noite desta quarta-feira, que foi injustamente agredida pelas declarações do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

"Passei nos últimos dias por um terror. Fui injustamente agredida por um político que não só me agrediu, mas a todos que são negros, gays ou que são os dois. Eu, no meu caso, sou uma mulher negra, gay e feliz", disse a cantora.

No quadro "O Povo Quer Saber", do programa "CQC", da TV Bandeirantes, exibido na segunda-feira (28), Preta Gil fez uma pergunta, previamente gravada, sobre qual seria a reação dele se seu filho se apaixonasse por uma negra.

O parlamentar, que tem um extenso histórico de polêmicas relacionado a direitos civis e humanos, respondeu: 'Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu.'

Bolsonaro alegou não ter tido a intenção de fazer nenhuma declaração racista. Disse que, na realidade, pensou que a pergunta se referisse a um relacionamento gay. "Essa se encaixa na resposta que eu dei. Para mim, ser gay é promíscuo, sim".

Na noite da última terça-feira (29), deputados protocolaram uma representação para que o deputado seja investigado pela Corregedoria da Câmara por quebra de decoro parlamentar, por causa dos comentários supostamente racistas.

A representação também será encaminhada ao Ministério Público e à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Ao passar pelo velório do ex-vice-presidente José Alencar, na tarde de hoje, Bolsonaro voltou a fazer ataques a homossexuais, à cantora e até ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

"Eu estou me lixando para esse pessoal aí", disse ele, referindo-se a quem o chama de homofóbico. "Agora criaram a Frente Gay [na Câmara]. O que esse pessoal tem para oferecer? Casamento gay? Adoção de filhos? Dizer pra vocês, que são jovens, que se tiverem um filho gay é legal, vai ser o orgulho da família? Esse pessoal não tem nada para oferecer", disse ele.

Bolsonaro voltou a dizer que a declaração sobre Preta Gil ocorreu por ele não ter entendido a pergunta. "Eu fui entrevistado por um laptop, respondi a um laptop", disse.

Perguntado se é homofóbico, o deputado disse que não tem nada "pessoal" contra gays. "Cada um faz o que quer com esse corpinho cabeludo entre quatro paredes".

Ao falar da cantora Preta Gil e de uma possível ação dela na Justiça, Bolsonaro citou publicações do blog da artista. "Que exemplo ela tem de vida para dar para todos nós para falar de ética?", afirmou.

Jair Bolsonaro no CQC, mostrou preconceituoso com gays e negros

sexta-feira, 18 de março de 2011

Justiça de SP nega habeas corpus a um dos agressores da avenida Paulista


O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou na última quinta-feira (17) habeas corpus a Jonathan Lauton, 19, um dos participantes da agressão homofóbica com lâmpadas fluorescentes na avenida Paulista em novembro do ano passado. Jonathan continua foragido.

No dia 21 de dezembro, Jonathan foi acusado pela 7ª Câmara Criminal do TJ-SP de homicídio triplamente qualificado e decretou a sua prisão. Desde então, Jonathan fugiu sem deixar rastros. O desembargador Fernando Miranda declarou que é necessário manter a ordem de prisão para a "garantia da ordem pública".

Miranda também disse que, quando estava em liberdade provisória, Jonathan foi procurado, mas não foi encontrado, o que, para o desembargador, já configura fuga. Esta é a segunda vez que uma liminar é negada ao acusado das agressões.

Fonte: A capa

Casal gay tem beijo interrompido por cliente na Bella Paulista


A padaria Bella Paulista é um local muito freqüentado pelos gays que saem das baladas e de sessões de cinema na região da Avenida Paulista.

Nesta semana, segundo testemunhas, dois homens estavam trocando beijos em uma das mesas quando foi interrompido por outro cliente que gritava e dava murros na mesa para que os dois parassem com a cena "absurda".

Os clientes ficaram surpresos porque a padaria estava cheia de gays, mas nem assim o gerente não se preocupou em defender os clientes gays.

A polícia chegou ao local, mas nada fez.

Fonte: Cena G

terça-feira, 1 de março de 2011

CNJ arquiva ação contra juíza que condenou militar gay


O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu nesta terça-feira (1º) arquivar o recurso do sargento do Exército Laci Araújo contra a decisão de não punir a juíza Zilah Maria Petersen, que o condenou por deserção. A condenação pela Justiça Militar ocorreu em 2008, depois que Araújo assumiu publicamente um relacionamento homossexual com outro militar. Ele alegou "preconceito" na decisão.

O CNJ já havia decidido que a juíza não tinha agido motivada por preconceito. Araújo então recorreu, pedindo que o caso fosse analisado pelo plenário do conselho. Nesta terça, a relatora, ministra Eliana Calmon, apresentou voto contra o recurso de Araújo. Os demais ministros seguiram o voto da relatora.

Laci Araújo foi condenado pela Justiça Militar em 2008 por deserção por não ter se apresentado ao serviço por cerca de uma semana. Dias antes, ele havia concedido entrevista à revista "Época" em que admitiu ter um relacionamento homossexual com um então colega de Exército, o sargento Fernando Alcântara.

Os dois chegaram a ser presos - Araújo por deserção e Alcântara por uso irregular do uniforme. Alcântara pediu desligamento do serviço militar. Apesar de condenado, Araújo recorreu e continua nos quadros no Exército.

À Justiça Militar, o sargento Laci Araújo negou que tivesse desertado e afirmou que não compareceu ao serviço por problemas de saúde. Há uma ação na Justiça Federal de Brasília em que ele pede a comprovação de que os atestados e laudos médicos apresentados à Justiça Militar são verdadeiros.

O ex-sargento Fernando Alcântara afirmou que já esperava o posicionamento do CNJ. "Não logramos êxito porque para conseguir processar um magistrado no país é difícil. Eles não vislumbraram abusos por parte da juíza, mas acho que há certo corporativismo. Mas isso é um posicionamento meu. Mesmo assim, consideramos positivo porque um juiz militar foi levado ao plenário do CNJ."

"É triste porque o CNJ diz, com essa decisão, que não se fez nada de errado no processo. Mas a gente entende que ela agiu por preconceito. Isso fragiliza a história que não é só minha nem do Laci. É de centenas de pessoas que sofrem preconceito nas Forças Armadas", afirma Alcântara.

No fim do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia rejeitado um agravo de instrumento de Araújo, em que ele alegou cerceamento de defesa e pedia a anulação da condenação por deserção. O caso foi relatado pela ministra Ellen Gracie. Na decisão, ela entendeu que o STF não era a instância adequada para julgar o caso porque não havia questão constitucional no processo.

Corte Interamericana
Companheiro do sargento Araújo, Fernando Alcântara afirmou que pretende agora ingressar com ação na Corte Interamericana de Direitos Humanos, com sede na Costa Rica.

"Para a gente, essas decisões (do CNJ e do STF) são importantes porque a gente pode agora ir à Corte Interamericana. Se Ellen Gracie pedisse a anulação do processo, tinha que começar tudo de novo na Justiça Militar, e seria um calvário. Queremos o reconhecimento do Estado de que houve perseguição política homofóbica. A Justiça brasileira não consegue reconhecer isso até pela força que têm as Forças Armadas."

Alcântara disse que ele e Araújo também cogitam pedir asilo político a outro país, por meio da Corte Interamericana. Eles afirmam sofrer perseguição.

Fonte: G1

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Casal gay expulso de cinema faz denúncia à Comissão Especial de Diversidade Sexual


Um casal gay, constrangido por um dos seguranças do cinema Roxy, em Copacabana, por ter se beijado durante uma sessão. Eles prestaram na quinta-feira queixa à Coordenadoria Especial de Diversidade Sexual, criada pela prefeitura no fim do ano passado.

João Batista Júnior e Thiago Soliva contaram que o preconceito começou assim que entraram no saguão do cinema, de mãos dadas. Neste momento, o segurança teria começado a segui-los. Na sala, o funcionário os advertiu assim que eles se beijaram, dizendo que o casal não poderia ficar sequer abraçado no cinema. Os dois reagiram, dizendo que o segurança não incomodaria um casal heterossexual. Nervosos, João e Thiago acabaram abandonando o cinema após conversarem com o gerente, que disse não ter orientado o segurança a abordar os dois homens.

Segundo o Grupo Severiano Ribeiro, o segurança era de uma empresa terceirizada e foi demitido. O casal gay vai fazer no sábado à tarde um protesto em frente ao cinema.

Fonte: Extra

Manifestantes marcham na Paulista contra homofobia



A Avenida Paulista foi, na tarde deste sábado (19), mais uma vez palco da luta contra a homofobia, que já costuma ser lembrada anualmente na Parada Gay. Desta vez, de 800 a mil manifestantes, de acordo com a Polícia Militar, ou 2 mil, segundo os organizadores, marcharam pelo endereço para protestar contra atos de violência a homossexuais. O protesto, iniciado no final da avenida, terminou em frente ao número 777, onde no dia 14 de novembro um rapaz foi agredido com lâmpadas fluorescentes.

“Diariamente as pessoas sofrem violência física e verbal. A piada mata tanto quanto a bala”, disse Márcio Henrique, de 24 anos, que maquiou uma ferida no rosto para reivindicar as agressões.

Homofobia como um crime

O movimento, que ocupou duas faixas da Paulista durante toda a manifestação, também lutava a favor da aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLC) 122 de 2006, que tramita no Senado e torna a homofobia um crime. “Hoje em dia não há uma lei específica para esses casos”, diz a advogada Ligia Conti, integrante do Grupo de Advogados pela Diversidade Social, criado há cerca de seis meses para tratar de casos como agressões e discriminações contra minorias.

De acordo com a advogada, atualmente nem mesmos os profissionais da área de direito sabem lidar exatamente com a questão, já que não há uma lei específica. O advogado Leonardo Berthi, também integrante do grupo, diz que foi ao protesto lutar pelo o que está previsto na própria Constituição, ou seja, princípios como o da igualdade e dignidade humana.

Os amigos Arthur Costa e Jessyca Ferrari lutam
contra preconceito (Foto: Gabriela Gasparin/G1)

Preconceito desde criança

O designer Gabriel Valdivieso, de 29 anos, diz sentir na pele o preconceito desde criança. "Sou uma pessoa igual a todas as outras", afirma. Ele lembra que, apesar de nunca ter sido agredido fisicamente, já foi vítima de agressões verbais, como chamamentos de "veado" ou "bicha".

"Eu acho importante lutar por qualquer tipo de igualdade. Mesmo não sentido isso na pele", afirma a artista plástica Carolina Gudin, de 31 anos, que foi à passeata acompanhada de seu marido, o cineasta Jader Gudin, também com 31 anos.

Os amigos Arthur Costa e Jessyca Ferrari, ambos de 19 anos, dizem acreditar ser necessário fazer manifestações como essas para buscar mudar a sociedade. "Preconceito todo homossexual sofre. Mas há casos extremos, que chegam a tirar a vida de uma pessoa", diz.

Um dos organizadores do evento, Luís Arruda, diz que, além das agressões contra homossexuais que causam mortes, a passeata buscou lutar também contra as pequenas sutilezas do dia a dia, como não ter liberdade para beijar na rua ou ir à escola sem ser vítima de preconceitos. "É violência toda vez que um transexual tem que se explicar na hora de mostrar o RG", afirma.

Manifestação percorreu a Avenida Paulista (Foto: Gabriela Gasparin/G1)

Internet

De acordo com Arruda, a manifestação começou a ser organizada pela internet, no Facebook, onde há mais de 1,6 mil pessoas cadastradas na comunidade Ato Contra a Homofobia. Segundo ele, pessoas de outras cidade e estados, como o Pará e Rio Grande do Norte, estiveram no ato, iniciado por volta das 15h e que chegou ao destino final, o número 777, perto das 18h. Políticos como a senadora Marta Suplicy (PT-SP) e o ex-BBB e deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), compareceram.

De acordo com a PM, a manifestação teve início com aproximadamente 500 pessoas, mas foi ganhando integrantes no decorrer da passeata, e chegou ao seu final somando, no total, de 800 a mil participantes, disse o capitão Amarildo Garcia.

Fonte: G1

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Fantastico: Brasil ainda luta para combater intolerância contra homossexuais

Esta semana, o Conselho Federal de Medicina deu um importante passo contra a discriminação aos homossexuais. Agora, casais do mesmo sexo podem recorrer a técnicas de reprodução assistida para ter filhos. Antes esses procedimentos só podiam ser feitos em casais heterossexuais.

“O importante é que todas as pessoas, independente da qualidade ou do estado civil da suas uniões, tenham acesso a esta técnica”, afirmou Roberto d’Ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina.

Este é mais um de uma série de avanços recentes no reconhecimento dos direitos de gays e lésbicas, num país que infelizmente ainda luta para combater a intolerância.
Um espancamento brutal. “Eu tenho essas marcas que estão aqui, meus dentes saíram do lugar. Eu estou sempre com a sensação de que algo de ruim vai me acontecer. Sempre em pânico”, conta Bruna Freire Silva, vítima de agressão.


Um tiro a queima-roupa. “A bala entrou aqui e saiu aqui”, lembra outra vítima.

De acordo com o Grupo Gay da Bahia, organização que monitora casos de violência em todo o país, a cada dois dias, um homossexual é assassinado no Brasil.

No Rio de Janeiro, único estado com estatística oficial de agressão contra gays, foram 378 casos de homofobia em 2010, mais de um por dia. E nove assassinatos.

“Ele foi apedrejado, ele foi torturado. O caso do Alexandre se tornou um símbolo nacional da luta contra a homofobia”, lembra Marco Duarte, primo de Alexandre. Alexandre Ivo morreu em junho deste ano.

Todos os acusados respondem em liberdade. “É um garoto de 14 anos. Ele perdeu o direito dele de viver”, destaca Marco.

A intolerância pode acontecer à luz do dia. Felipe foi expulso de um ônibus a ponta pés só porque tentava ajudar um cadeirante a embarcar. “As três pessoas que estavam reclamando se voltaram contra mim alegando que eu não era homem”, lembra ele.

Ele procurou a polícia imediatamente. Se fosse em outra época, talvez Felipe ficasse calado.

“O que acontece é que anos atrás, talvez, as famílias não assumiam que um filho que morreu de homofobia morria de homofobia. Não ia à delegacia falar: ‘meu filho é gay e morreu porque é gay’. E agora essas denúncias têm esse teor”, afirma ele.

“Como estão perdendo no âmbito da civilidade esse debate, estão partindo para o âmbito da violência, para o campo do terror e do ódio”, explica o gestor público Cláudio Nascimento.

Contra o ódio, uma festa concorridíssima. “A gente tinha pensado num evento para no máximo 30 ou 40 pessoas, uns amigos. E foram 300 pessoas”, lembra Cláudio, falando sobre seu casamento.

Como o Brasil não tem uma lei de união civil de pessoas do mesmo sexo, Cláudio e João assinaram um pacto homoafetivo. É um documento público registrado em cartório para oficializar o que a vizinhança inteira já sabia.

“É uma vida normal, como a de qualquer outro casal, com sonhos, desejos, desafios, obstáculos”, afirma Cláudio.

O Estado brasileiro também resolveu enxergar o óbvio. “Dorme, planeja a vida, paga as contas. Vê lá quanto que entrou de dinheiro no final do mês”, diz Cláudio.

A Receita Federal anunciou que casais de mesmo sexo vão poder incluir dependentes ou fazer declaração conjunta do Imposto de Renda deste ano. E uma portaria do Ministério da Previdência, enfim, decidiu tornar regra o que a Justiça já obrigava por força de liminar: homossexuais e seus companheiros terão direito à pensão e aposentadoria.

A Justiça do Rio Grande do Sul foi a primeira a determinar que ações envolvendo pensões, heranças e partilha de bens de casais homossexuais saíssem das varas cíveis e passassem a ser discutidas nas varas de família. Ou seja, o Judiciário entendeu que o caso aí era menos de uma relação de negócio e mais de uma relação de afeto entre pessoas do mesmo sexo. Isso só foi possível graças à atuação decisiva da desembargadora Maria Berenice Dias.

Heterossexual, casada cinco vezes, três filhos, e ainda assim vítima de preconceito por defender os direitos dos homossexuais.

“Parece que é uma coisa depreciativa.Tanto que todo mundo diz: ‘mas, Berenice, tu não te incomoda?’ Mas não me ofende acharem que eu sou homossexual porque eu não acho que eles sejam um segmento assim: ‘ai, que horrível!’ Para mim, em primeiro lugar não me importa o que os outros pensam a meu respeito, né?”, afirma ela.

A desembargadora aposentada Maria Berenice Dias foi a primeira a dar razão a um casal gay numa ação judicial em 2000. De lá para cá, ela já contou 808 decisões favoráveis de dezenas de juízes pelo país afora.

Para ela, só falta o Congresso Nacional mudar de comportamento. “Um fundamentalismo perverso, acho que uma postura covarde do nosso legislador que, não sei se tem medo de ser rotulado de homossexual, tem uma visão muito fechada do conceito de família, mas no Legislativo não se consegue avançar”, destaca ela.

Existem 19 projetos de lei tramitando em Brasília, inclusive, o que torna crime a homofobia. “Isso também não avança”, lembra a desembargadora.

Mesmo sem uma lei específica, por exemplo, sobre adoção de crianças por casais de mesmo sexo, pelo menos 20 sentenças já foram proferidas.

“O que a Justiça faz? A Justiça aplica a Constituição Federal que manda se ter uma proteção integral a crianças e adolescentes”, diz a desembargadora.

O Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro diz que não há qualquer risco de sequela psicológica para a criança. “As pré-condições para que uma adoção seja bem sucedida são afeto e disponibilidade dos adultos em acolher essa criança. E afeto e disponibilidade não estão relacionados à orientação sexual”, destaca Eliana Olinda, psicóloga do CRP-RJ.

“Tudo o que eu faço, desde que eu acordo até a hora que eu vou dormir, é em função da Maria Vitória. Não tem como”, afirma a funcionária pública Cristiane Carvalho Corrêa.

Cristiane adotou Vitória quando ela era bebê. Agora a companheira dela, Sílvia, entrou na Justiça para ser, legalmente, a mãe que já é na prática.

“Aí a Cris falava: ‘Não, Sílvia, feijão tem que dar escondido, põe o arroz e a carne por cima’. Todo um malabarismo na colher para esconder o feijão. Ela vai comer o feijão, ela tem que saber que tem que comer feijão, que feijão é bom para ela”, lembra Sílvia.

Uma tem coração mole. “Às vezes ela deixa fazer as coisas!”, diz Vitória. A outra contrabalança: “O quartel!”, brinca Vitória.

Se tudo der certo, Vitória terá duas mães na certidão de nascimento. Carinho em dobro, ela já tem. “Todos nós podemos viver no mesmo mundo. Não há um mundo separado”, diz Cris.

Fonte: Fantastico

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Maranhão: Filho confessa morte do pai e o acusa de maltratar por ser gay


Preso na delegacia de homicídios de Timon/MA, o estudante Kleiton Sousa Lopes, 21 anos, confessou ter assassinado o pai, Antônio Carlos Lopes, 53 anos. O motivo seriam os maus tratos a mãe, a ele e o irmão Alexandre de Sousa Lopes, 18 anos, pelo fato dos dois serem homossexuais. O crime cometido no final de 2010 foi descoberto nesta quinta-feira (6).

"Foi um momento de fraqueza, de desespero. Peço desculpas. Reconheço meu erro e vou pagar pelo meu erro. Que me perdoem, que me desculpe a família", disse Kleiton, pedindo perdão especialmente à mãe, Maria da Conceição Sousa, que ele garante não ter participação no crime.

Para matar o aposentado, que era pai de santo, os irmãos contaram com a ajuda do vizinho João André da Costa Rocha, 23 anos, também preso. Os três enterraram o corpo em uma cova aberta na noite de 24 de dezembro, nos fundos da casa. Antônio Carlos foi morto com remédios que tomava para hipertensão.

Kleiton nega ter matado o pai para receber alguma herança ou que o crime tenha algo a ver com a Umbanda. Perguntado sobre outros detalhes da morte, o estudante afirmou que só falará diante da Justiça.

Fonte: cidadeverde.com

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Caso de agressão na Av. Paulista


A defesa do adolescente que usou uma lâmpada nas agressões na Paulista em 14 de novembro entrou ontem com habeas corpus junto à 4ª Vara da Infância e Juventude. É lá que corre outra ação em que o garoto de 16 anos teria agredido um homossexual na saída do clube Vegas, na Augusta, em março. Único dos quatro adolescentes envolvidos nos episódios que permanece internado na Fundação Casa (antiga Febem), o garoto, suposto neto de um famoso mafioso italiano, passou a ser representado por Alexandre Dias Afonso, que já faz a defesa de outro réu.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Estudo mostra que Centro de SP concentra ataques contra gays


A região central de São Paulo, que inclui a Avenida Paulista, é a que mais concentra ataques homofóbicos, conforme estudo com base em denúncias recebidas pelo Centro de Combate à Homofobia da Coordenadoria de Diversidade Sexual (Cads). Após novo ataque ocorrido no sábado (4), a Polícia Militar promete agora reforçar o policiamento na área.

A Prefeitura também estuda medidas para a região, com base em um mapeamento dos ataques por bairros que deve ficar pronto neste mês. O estudo foi realizado com base nas 316 denúncias recebidas Cads entre julho de 2006 e dezembro de 2009.

Nas 50 situações de violência física relatadas, 20% são em casa, 2% no trabalho e 78% no espaço público. Conforme o perfil levantado, as vítimas normalmente têm entre 25 e 39 anos.

A expectativa da Prefeitura é usar os dados da pesquisa para trabalhar todas as políticas públicas voltadas para homossexuais. Já para 2011 será feito um trabalho de conscientização em escolas e hospitais localizados na Subprefeitura da Sé - onde está o foco principal das denúncias.

Fonte: G1

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Jornal carioca relata o drama de gays que vivem nas favelas e denuncia violência policial


Com o título “Pacificação ainda não pôs fim à homofobia”, do jornalista Mahomed Saigg, o jornal carioca O Dia apresentou um dossiê, durante série especial que o jornal está fazendo fez sobre Homofobia. Se o alerta tivesse sido considerado, há menos de um mês, dificilmente teríamos tido após a Parada do Rio o crime em que um militar atirou contra um homossexual.

Homossexuais de comunidades ocupadas acusam os policiais de agressão e dizem que a situação para eles se tornou ainda pior do que quando os traficantes dominavam os morros. Regras que devem ser seguidas como a discrição, a violência diária e gratuita, são algumas das realidades de quem mora nas comunidades cariocas, agora palco da guerra contra o tráfico de drogas.

Na matéria, gays e travestis denunciam o esquema de “pacificação” do governo que não tem levado paz aos homossexuais das favelas, que agora convivem com o abuso dos policiais. Estas e outras notícias levaram o comandante geral da PM dizem em um telejornal ontem que infelizmente há sim desvios de conduta na corporação e que os casos devem ser denunciados para que a Corregedoria da Polícia tome as devidas providências. Assim como com o tráfico, os moradores das favelas temem denunciar policiais com medo de represálias, agora sob o peso da instituição que deveria promover a segurança.

“Cerceados, muitos homossexuais se desesperam. “Não aguento mais tanta repressão. Não consigo mais ser eu mesmo! Antes da ocupação, também tínhamos problemas, mas agora a situação piorou muito, porque com a polícia não tem conversa, estamos sempre errados”, reclama o cabeleireiro Vando Silva, 20 anos.
Morador do Morro Santa Marta, em Botafogo, ele garante já ter sido agredido por policiais. “Eles me bateram porque disseram que ‘veado’ tinha que morrer”, denuncia.” – diz a matéria de O Dia.

Fonte: Cena G

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Jacareí: homofobia é uma das suspeitas em assassinato com 12 tiros

Um homem foi morto com 12 tiros, na noite desta terça-feira (23), em uma rua do bairro Jardim Nova Esperança, perto de onde morava, em Jacareí. Ele voltava pra casa depois de participar de uma entrevista de emprego. E falava com um amigo pelo celular quando foi atingido. A polícia investiga se o assassinato foi motivado por homofobia, um crime cometido só porque a vítima era homossexual.

Iranilson Nunes da Silva, de 38 anos, era ativista na ONG Revida, de Jacareí, que defende os direitos dos homossexuais. Uma das últimas atividades que ele fez com o grupo foi uma marcha, em Brasília, pela aprovação da lei que pune crimes contra homossexuais. O presidente da ONG lamentou o crime: “É mais um homossexual que é assassinado no Brasil”, lamenta Luiz Moresi.

No muro de uma casa da rua ficaram as marcas de sete tiros. O delegado Luiz Antônio Santos, que investiga o caso, disse que Iranilson estava recebendo ameaças por mensagens de texto no celular. E que há quatro dias ele e o amigo chegaram a registrar um boletim de ocorrência. A polícia investiga o motivo do crime. “Estamos investigando todas as linhas. Uma delas é a de homofobia. Mas não nos parece num primeiro instante a linha mais correta. A segunda linha de investigação é uma eventual briga por relacionamentos e as demais também não estão descartadas”, explicou o delegado.

Fonte: V News

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Polícia investiga se ataque a jovens em SP foi motivado por homofobia


O que leva um grupo de jovens de classe média alta a sair espancando outros rapazes, que encontram na rua, nas primeiras horas da manhã de um domingo?

Avenida Paulista. O lugar que todo ano recebe a Parada do Orgulho Gay, ontem, foi hostil aos homossexuais. Isso por causa de um grupo de jovens intolerantes, segundo suspeita a polícia.

“O que existe na realidade é uma agressão sem sentido das pessoas que não se conformam com a situação de alguém, o modo de vida ou tal”, diz José Matalo Neto, delegado.

Passava das seis da manhã quando o grupo foi em direção a dois jovens. Um conseguiu fugir. Outro apanhou até com lâmpadas fluorescentes e foi hospitalizado.

Duzentos metros depois, novas vítimas. Três rapazes. “Um deles chamou a nossa atenção. A gente olhou pra trás, nesse momento o menino veio e com a lâmpada e bateu no rosto”, conta uma das vítimas.

“Aí um foi, começou a me enforcar enquanto os outros começavam a me dar chute”, conta outra vítima.

“Eu escutei alguma coisa referente a bicha a gay, fizeram até outros comentários, enfim”, diz.

Os jovens só não apanharam mais porque os seguranças de alguns prédios ajudaram. “Queria ter batido mais, mas só não bateu porque demos um auxílio, um apoio pra vítima”, diz José Augusto Neto, segurança.

“Cinco pessoas em cima de uma pessoa só. Acho que não é fácil. E o rapaz não estava fazendo nada. Ele estava vindo normalmente pra cá e eles em direção contrária. Pegaram duas lâmpadas e estouraram no rapaz”, comenta Hércules Arelo, segurança.

Quatro dos agressores são menores de idade, têm entre 16 e 17 anos, e foram transferidos para uma unidade da Fundação Casa, a antiga Febem.

O quinto agressor é maior de idade e está preso numa delegacia. Vai responder por lesão corporal gravíssima e formação de quadrilha. Os cinco jovens estudam num colégio particular de um bairro nobre de São Paulo.

A mãe de um deles não entende o que o filho fez e acha que, sozinho, ele não teria tomado essa atitude. Ela disse para a repórter Monalisa Perrone que está constrangida. “Eles não foram criados, não são meninos criados pra isso, a gente sempre tenta criar o filho com carinho, com compreensão, mas infelizmente estavam num grupo, eu acho que um acabou motivando o outro, e acabou acontecendo”, declarou.

“O grupo, no fundo, fortalece a interação entre eles e aí a vontade de agredir, de violar o outro fica muito mais forte, porque se dilui a responsabilidade. Um deu o pontapé, o outro jogou a luz, o outro deu o soco e assim sucessivamente”, explica Stela Graciani, cientista social – PUC SP.

Os agressores também foram autuados em flagrante por roubo de objetos pessoais de uma vítima de 23 anos, que prestava queixa na delegacia e o jovem reconheceu o grupo.

Fonte: Jornal Hoje

Cinco jovens são presos por homofobia

Jovem baleado após Parada Gay no Rio recebe alta de hospital


Um estudante que foi baleado na noite de domingo (14), no Arpoador, na Zona Sul do Rio de Janeiro, recebeu alta do Hospital Miguel Couto no fim da manhã desta segunda-feira (15). De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, ele não passou por cirurgia. A vítima, ferida após a Parada Gay em Copacabana, acusa militares de o terem abordado de maneira homofóbica e efetuado o disparo. O exército nega.

A Polícia Civil convocou o oficial de dia do Exército, de plantão no domingo (14), para prestar depoimento.

"Os militares teriam chegado ao grupo fazendo ameaças e, então, houve o disparo. Estamos em contato com o Exército para conseguir chegar aos suspeitos, já que a vítima nos disse que seria capaz de reconhecer o responsável pelo tiro", afirmou o delegado-adjunto Alessandro Thiers, da 14ª DP (Leblon), onde o caso foi registrado.

“Chegaram três militares, fazendo pressão psicológica com ele e com os outros. Alguns saíram correndo, o seguraram, botaram uma arma na cabeça dele, perguntaram o telefone e se os pais sabiam que ele era assim”, contou Viviane, mãe da vítima, repetindo a versão contada pelo filho.

Exército nega envolvimento de soldados
O Comando Militar do Leste (CML) divulgou uma nota oficial, na manhã desta segunda-feira (15), em que nega que um militar tenha atirado contra o estudante. O CML afirma que não há registros de disparos por militares na data do crime e que o local, o Parque Garota de Ipanema, não está sob a administração do Forte de Copacabana.

A polícia pediu, também nesta segunda, ao Comando Militar do Leste a lista de todos os militares que estavam em serviço na noite de domingo no Forte de Copacabana. A ideia é que a vítima reconheça o autor dos disparos por fotografias.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Casal gay relata homofobia durante festa universitária da USP em mansão


Um casal gay alega ter sido vítima de homofobia durante a festa universitária “Outubro ou Nada”, realizada por alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, em uma mansão, no Morumbi, na Zona Sul de São Paulo, entre a noite da última sexta-feira (22) e a madrugada de sábado (23). Segundo afirmou nesta terça-feira (26) ao G1 Henrique Andrade, de 21 anos, estudante de biologia da universidade, ele e seu namorado, aluno da arquitetura da USP, estavam sentados em um sofá, conversando e abraçados, quando foram surpreendidos por outros três jovens que os xingaram com palavrões homofóbicos e os agrediram com chutes e socos.

“Sofri agressão física e moral. Não estou a fim de punir ninguém. Estou a fim de divulgar esse problema comigo para que ele seja discutido numa esfera mais ampla, buscar no futuro a criminalização da homofobia”, afirmou Henrique por telefone, momentos antes de registrar a ocorrência sobre homofobia na Polícia Civil de São Paulo. Para que a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), na região central da capital, instaure inquérito para apurar o caso, a vítima precisa entrar com uma representação. Isso ainda não foi feito.

A informação sobre o incidente na festa foi publicada nesta terça na coluna de Mônica Bergamo, do jornal "Folha de S.Paulo".

A pedido do G1, Henrique autorizou a publicação do relato que ele encaminhou por e-mail ao Centro Acadêmico de Biologia da USP. Leia abaixo íntegra do relato de Henrique sobre a festa onde afirma ter sido alvo de jovens homofóbicos:


Relato – Homofobia em festa da USP

Atitudes como as que aconteceram na última sexta-feira impedem que eu me cale ou tenha medo de mostrar a realidade para todos os alunos da USP e demais pessoas que porventura leiam esse relato.

No dia 22 de outubro, eu, Henrique Andrade do terceiro ano de Biologia da USP, estava junto com meu namorado na festa “Outubro ou Nada” realizada pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) em um imóvel na Rua Itororó, 226, no Morumbi. Fomos junto com meus amigos de curso aproveitar essa festa, após uma prova. Estávamos cansados, e eu e meu namorado sentamos em um sofá em um dos cômodos da casa onde outras pessoas também descansavam. Conversávamos abraçados quando três caras se dirigiram até nós e começaram a nos xingar. Estavam visivelmente alcoolizados, e disseram inúmeros palavrões, gritaram para que saíssemos da festa pois estávamos manchando o lugar e usaram diversos adjetivos homofóbicos.

Enquanto apontavam os cigarros acesos em nossos rostos, como forma de intimidação, um deles jogou um copo cheio de bebida em nossas roupas. A partir desse momento as agressões morais somaram-se às agressões físicas: foram chutes e socos, enquanto meu namorado os empurrava tentando nos defender. Duas meninas que estavam no local chamaram um segurança, que para meu espanto ao chegar no local nada fez. Nitidamente compartilhando da visão homofóbica dos agressores, o segurança ficou olhando a briga enquanto eu gritava pedindo para que ele retirasse aqueles três caras do recinto. Nesse meio tempo, levei um tapa na cara na frente do segurança enquanto tentava dialogar com os indivíduos e um deles falou que eu e meu namorado estávamos marcados. A equipe de segurança só tomou uma atitude após a formação de um aglomerado indignado com a barbárie que estava acontecendo.

Os agressores homofóbicos foram contidos, mas não foram retirados da festa. Reencontrei com meus amigos de curso e contei a eles sobre a barbárie ocorrida. Indignados, entraram em contato com pessoas da ECA. O vice-presidente da Atlética da ECA foi muito atencioso e pediu milhares de desculpas. Depois que ele conversou com os seguranças, a equipe responsável retirou os agressores. Eles relutaram em sair da festa, e continuaram com ameaças e xingamentos do lado de fora dos portões do casarão. Foi preciso escolta até um táxi para que pudéssemos sair da festa.

No sábado, dia 23, soube que mais tarde na festa o carro de uma menina foi depredado pelos mesmos três agressores. Eles chutaram e urinaram nas portas do carro dela, porque ela respondeu “sim” após eles perguntarem se ela tinha amigos gays.

Eu e meu namorado estamos bem fisicamente, mas a agressão moral ainda dói. Estamos tomando as providências cabíveis juntamente com o Centro Acadêmico (CA) da Biologia e a Defensoria Pública do Estado de São Paulo (existe a Lei Estadual 10.948/2001 de combate à discriminação homofóbica em São Paulo). Não quero punir ou me vingar de ninguém, só não acho que atitudes homofóbicas como as ocorridas na festa pelos agressores e pelo segurança devam ser vistas como naturais, relevadas pelas pessoas. Nunca imaginei que seria vítima de um tipo bárbaro de agressão como esse, e quero alertar e servir como atitude precedente para os que sofrerem com situações semelhantes. Não vou me calar perante essa covardia.

Reforço a ajuda da Atlética da ECA na resolução dessa barbárie. Sei que tanto o CA quanto a Atlética da ECA não apóiam essa atitude homofóbica dos agressores e do segurança da festa. Infelizmente a equipe contratada não está preparada para lidar com a diversidade. Que eles não sejam chamados para outras festas na USP, ou que aprendam a tratar de forma não discriminatória os gays. E que a ECA se posicione formalmente sobre esse lamentável ocorrido.

Quero agradecer a todos os amigos pela preocupação que tiveram comigo e com meu namorado. Muito obrigado.

Não à homofobia !
“E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor?” Caio Fernando Abreu”

Após receber o relato de Henrique, o Centro Acadêmico de Biologia decidiu fazer uma moção de repúdio. O documento está sendo distribuído na USP solicitando assinaturas dos estudantes.

O Centro Acadêmico de Biologia da USP (SPHN-CABIO) gostaria de publicizar o seu mais completo repúdio à agressão física e moral sofrida pelo estudante de nosso curso, Henrique Andrade, e pelo seu namorado *, durante a tradicional festa uspiana "Outubro ou Nada". Henrique e * foram abordados por três jovens porque estavam abraçados na festa. Foram agredidos verbalmente, ameaçados, convidados a saírem da festa e, por fim, agredidos fisicamente em meio a uma completa negligência da equipe de segurança da festa que só tomou a devida atitude de expulsar os agressores muito tempo após o ocorrido. É extremamente penoso constatar que continuamos vivendo em uma sociedade repleta de preconceitos e intolerância. Em um momento como esse, é fundamental que a comunidade de estudantes, professores e funcionários da universidade, bem como suas entidades representativas, exponham suas posições, organizem debates e façam atos para repudiar a homofobia e defender uma sociedade tolerante que respeite a livre orientação sexual e identidade de gênero”, escreve o Centro Acadêmico de Biologia, que finaliza: “Convidamos todos que lerem essa carta a contribuírem para que eventos como esse não mais aconteçam. Não à homofobia! Pela criminalização da homofobia no Brasil!”.

O G1 não conseguiu localizar o namorado de Henrique para comentar o assunto. A pedido do aluno de biologia, o nome de seu namorado não foi citado nesta reportagem. Até as 12h desta terça-feira (26), o G1 também não encontrou representantes dos alunos da ECA que realizaram a festa “Outubro ou Nada” para falar sobre o caso.


Fonte: G1

domingo, 17 de outubro de 2010

Número de assassinatos de gays no país cresceu 62% desde 2007, mas tema fica fora da campanha


Alçados a tema central da campanha presidencial, o casamento gay, a união civil entre pessoas do mesmo sexo e a criminalização da homofobia têm sido debatidos pelos candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) a partir do viés religioso e sem levar em conta um dado alarmante: o número de homossexuais assassinados por motivação homofóbica cresce a cada ano.

Em 2009, 198 foram mortos no Brasil. Onze a mais que em 2008, e 76 a mais do que em 2007, um aumento de 62%. Os dados são do Grupo Gay da Bahia (GGB), fundado em 1980 e o único no país a reunir as estatísticas. Segundo o GGB, de 1980 a 2009 foram documentados 3.196 homicídios, média de 110 por ano.

- Infelizmente, a homofobia é um aspecto cultural da sociedade brasileira, que empurra os homossexuais para a clandestinidade, fazendo com que permaneçam à margem mesmo quando são mortos. Gays, lésbicas e travestis são mortos de forma cruel, geralmente tendo o rosto desfigurado, e acabam sendo considerados culpados. Só os crimes muito hediondos comovem - diz Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.

Antropólogo e ex-presidente do GGB, Luiz Mott lembra que há subnotificação de dados, mas que ainda assim é possível afirmar que o número de mortes vem crescendo:

- O número tem aumentado na última década. Antes, era um assassinato a cada três dias. Agora, acontece um a cada dois dias. O Brasil é o país com maior número de assassinatos. Ano passado, no México, por exemplo, foram 35.

Segundo Mott, a maioria dos crimes contra LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) é motivada por "homofobia cultural":

- Graças ao machismo e à bronca que muitos homens têm contra gays e travestis, eles matam imbuídos da ideologia de que homossexuais são covardes, têm dinheiro, que os vizinhos não vão se importar, e os juízes vão punir com brandura.

De acordo com pesquisas realizadas nas paradas gays de Rio, São Paulo, Recife, Porto Alegre e Belém, entre 2003 e 2008, pelo Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos, o número de homossexuais agredidos e/ou discriminados nessas regiões não é inferior a 59,9%. Em Pernambuco, 70,8% disseram ter sido agredidos. E, em São Paulo, 72,1% foram vítimas de algum tipo de discriminação.

- Os dados mudam pouco nas regiões. O fato de não existir lei específica para crimes homofóbicos contribui para a violência. No entanto, vale lembrar que esses números não refletem completamente a realidade. Sabemos que o silêncio ainda marca as agressões - diz Sérgio Carrara, professor do Instituto de Medicina Social da Uerj e um dos coordenadores das pesquisas.

Empatado com a Bahia como estado mais homofóbico do Brasil, o Paraná registrou, segundo dados do GGB, 25 assassinatos em 2009: 15 travestis, oito gays e duas lésbicas. Os outros quatro estados mais homofóbicos são São Paulo, Pernambuco, Minas e Alagoas.

Presidente da Rede Nacional de Pessoas Trans, a travesti Liza Minelly diz que, entre travestis e transexuais, cerca de 70% já sofreram algum tipo de violência. Há 16 anos militando no Paraná, estado com maior número de assassinatos de travestis no ano passado, ela relata que quase sempre o preconceito afasta as travestis do ensino e dos empregos formais, e muitas vezes as empurra para a prostituição e as drogas.

- Em Curitiba, acompanhamos a história de uma travesti morta em 2000, espancada por quatro policiais militares, mas até hoje as testemunhas não foram ouvidas. Também assistimos com frequência à morte moral da travesti, quando negam a ela, por exemplo, um emprego para o qual teria todas as qualificações necessárias - diz.

Apesar dos dados aterradores, a criminalização da homofobia, por meio do Projeto de Lei 122, tem enfrentado resistência de grupos católicos e evangélicos. Mas Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), defende o diálogo com os religiosos:

- Ocorrem distorções de má-fé em relação a interpretações do projeto de lei. Não queremos afrontar as religiões. Queremos não ser mais discriminados, quando pesquisas apontam que 20% dos homossexuais já foram espancados por preconceito.


Fonte: Extra

domingo, 3 de outubro de 2010

Estudante se mata ao ser flagrado fazendo sexo oral com outro homem


O adolescente norte-americano Tyler Clementi, 18 anos, cometeu suicídio dois dias após ser flagrado por dois colegas de quarto fazendo sexo com outro homem.

Os colegas gravaram a cena e a transmitiram pela Internet.

Para acabar com a própria vida, o jovem pulou de uma ponte e o corpo do rapaz foi encontrado boiando no rio, usando apenas um relógio, sem qualquer documento que o identificasse.

Clementi avisou que cometeria suicídio em uma mensagem deixada em sua página no Facebook. A notícia da morte do rapaz veio apenas dois dias após a universidade onde ele estudava lançar um programa contra o bullying e o abuso da nova tecnologia.

Os colegas de quarto do estudante estão sendo processados por invasão de privacidade. Segundo a polícia, eles colocaram uma câmera no quarto para que pudessem gravá-lo mantendo relações sexuais.

Fonte: Cena G